
Em 11 de setembro de 2001, uma pesquisa sobre a fascinação dos homens de cultura pelo poder mudou de rumo. Martim reconheceu que o núcleo da crise do mundo moderno é a abstração do homem em um conceito e voltou a Thomas More, autor de Utopia e chanceler de Henrique VIII, que acabou decapitado, para entender onde ela começou. O livro lê Utopia como um diálogo irônico, e o nome do navegador que descreve a ilha perfeita, Raphael Hitlodeu, significa em grego o contador de bobagens. Nos capítulos finais, a tentação utópica chega ao Vale do Silício, aos algoritmos e à inteligência artificial, até a conclusão: O Paraíso da Imperfeição.
Autor de Paraíso Perdido, John Milton defendeu a liberdade religiosa, a doméstica e a civil. Para Martim Vasques da Cunha, as três dependem de uma liberdade interior, conquistada por uma disciplina que submete a vontade à razão. O deserto do título é o lugar onde as miragens da liberdade exterior se desfazem e cada pessoa encontra a própria alma dividida. Nas palavras de Jonas Madureira, na apresentação, “uma miragem é sempre o esquecimento do deserto”.
Segundo João Pereira Coutinho, no posfácio, as mesmas questões que Thomas More enfrentou ressurgem com John Milton, e é nesse ponto que os dois livros se conectam para explicar as crises do nosso tempo e as respostas a elas.
Nascido em 1978, Martim Vasques da Cunha é formado em Jornalismo pela PUC Campinas e doutor em Filosofia Política pela Universidade de São Paulo.
Seu trabalho de conclusão de curso, um livro de reportagem sobre a fascinação dos homens de cultura pelo poder, deu origem a Crise e Utopia, publicado em 2012 e sua primeira publicação profissional.
Posteriormente, sua obra A Disciplina do Deserto, escrita ao longo de doze anos a partir da reelaboração completa de sua tese de doutorado, encerra a sequência que Jonas Madureira descreve como o desnudamento da alma dilacerada do brasileiro e, por que não, do homem contemporâneo.
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